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alem disso limpar a cidade do lixo acumulado pelas ruas e odores menos agradaveis tambem em muito contribuiriam para uma boa imagem desse belo pais

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Mais de 700 mil armas foram recolhidas das mãos da população

Desde 1995, ano em que se iniciou com o projecto Conselho Cristão de Moçambique diz que, acima de tudo, a iniciativa afigurou-se num movimento de desarmamento de mentes que há anos viveram num ambiente de guerra.

O Conselho Cristão de Moçambique (CCM) diz que, no âmbito do seu projecto Transformando Armas em Enxadas (TAE), iniciado em 1995, já recolheu, em todo o país, mais de 700 mil armas que estavam na posse da população.

Em entrevista ao nosso jornal, o novo corpo directivo do CCM, através do seu secretário-geral, Marcos Macamo, falou dos contornos desta iniciativa que teve um papel preponderante na recolha de armas, que depois de 16 anos de guerra civil estavam fora de controlo, mas também explorámos a sua visão em relação à vida político-social que vivemos.

Até aqui, qual tem sido o papel da igreja na sociedade moçambicana?

Há que definir o papel da igreja no contexto actual e no passado. Anteriormente, a igreja não tinha muitos projectos sociais como acontece agora, mas exercia o seu papel de uma outra maneira, usando outra metodologia. Os tempos foram mudando, assim como a própria história foi mudando.

Desta feita, a igreja teve que se adaptar e ser flexível na resposta às questões que foram surgindo. Por exemplo, no tempo de guerra, o CCM, através do seu órgão de decisão, ao ver o sofrimento do povo teve várias iniciativas, uma das quais foi procurar o então chefe do Estado para expor a questão do sofrimento dos moçambicanos.

Passou aquele tempo. Tudo isto é mais uma resposta da igreja para a busca da paz. E, finalmente, foram assinados os acordos de paz em 1992.

Com isto pretende dizer que o processo de paz em Moçambique foi previamente negociado pela igreja?

Evidentemente, a igreja é que teve a ousadia e coragem de se aproximar ao presidente Samora e abordar este assunto. O processo foi longo, mas a igreja tinha que assumir a sua voz profética. Então, quero aqui ressalvar o papel da igreja apesar de todas as degradações morais que o assombram...

Apesar do mérito, reconhece que nalgum momento a igreja tem-se desviado daquilo que devia ser o seu papel na sociedade?

Sim.

A que se deve esse desvio de valores sociais?

Bom, isso deve-se a vários factores, sobretudo sociais, económicos, antropológicos, entre outros. Nós, os pastores da actualidade, temos outras formas de abordar as coisas, diferente daquelas usadas pelos pastores que nos antecederam.

A missão dos antigos pastores era exclusivamente de estar dentro da paróquia a servir a igreja e mais nada. Hoje em dia, vivemos várias mudanças.

Então, aquilo que era considerado igreja naquela altura, hoje deixa de ser e ganha outras formas.... Porém, dizer que a igreja de facto caiu, ou deixou de exercer o seu papel, para mim não estaria totalmente correcto. Tem que se dizer que ela procura novas abordagens, porque afinal de contas o papel da igreja não é fugir da sociedade para um mundo isolado, mas, sim, de encarar a sociedade através da sua linguagem.

PAPEL DA IGREJA NA SOCIEDADE

Mas, numa situação como esta em que vivemos com altos níveis de criminalidade, perda de valores morais, etc, e também assistimos a uma proliferação de igrejas, o que estará a falhar?

Volto a repisar a igreja como acção e não como monumento. Aí veremos que não é a quantidade das rezas, mas é o encarar a realidade e perseguir a justiça, combater o mal na prática e não só na fala. Pôr na prática os ensinamentos de Cristo. Agora, quando há criminalidade, a questão é: como é que nós encaramos essa criminalidade? Se nós nos fecharmos nas quatro paredes da igreja, e deixarmos o mal de fora, ai ele será mais visível e não estaremos a fazer nada.

Mas, quando entro neste projecto, por exemplo, Transformando Armas em Enxadas, vejo-o como um projecto de continuidade do processo de pacificação, iniciado com a assinatura dos Acordos Gerais de Paz, em 1992. Desde que entrou em vigor, por xemplo, o projecto TAE já colectou acima de 700 mil armas de diferentes calibres e uma quantidade de munições não especificada.

O que se fez com as armas recolhidas?

Com as armas recolhidas muitas coisas foram feitas. Por exemplo, no Museu de Londres, existe lá um grande monumento que nós chamamos Árvore de Vida, onde todo o turista do mundo pode visitar e dizer que este é um projecto de Moçambique.

Qual é o nível de abrangência deste projecto?

- Diria, sem sombra de dúvidas, que temos algumas províncias-chave, nomeadamente: Sofala; Zambézia; Maputo; Inhambane; e Niassa, mas o projecto é de todo o país, porque o CCM tem delegações em todas as províncias e distritos.

IMPACTO DO TAE NAS COMUNIDADES

Volvidos 15 anos do projecto, que balanço faz?

Posso dizer que as mais de 700 mil armas recolhidas ainda estariam em mãos alheias e mesmo operativas. E isso constituiria um grande perigo para a sociedade.

E qual o benefício do projecto para as comunidades?

Para dar exemplo, agora há um contentor que vem do Japão com cerca de 100 bicicletas para serem distribuídas em troca de armas. Há uma escola comunitária que já recebeu cerca de 50 bicicletas para beneficiar as crianças que vivem longe da mesma. Dando exemplo concreto de Maputo, na zona da Moamba, Mbondoya, Xinhanguanine, já foram construídas várias salas de aulas. Por um lado, temos vários furos de água que foram abertos em troca destas armas, no âmbito de um projecto nosso chamado water for life.

Durante a semana em curso, vamos depositar uma grande obra de arte na Assembleia da República.

Já está lá, só falta identificar o local.

No últimos tempos, as congregações religiosas têm-se ligado muito a assuntos políticos. Qual é o significado disso?

É uma boa questão. Se formos a ver, todos os partidos políticos africanos, por detrás deles, existem líderes religiosos. Mesmo a ANC foi fundada por 4 pastores africanos, antes de 1910. É imprescindível que a igreja se desfaça da política, porque a questão política é, em primeiro lugar, uma questão de justiça, o que Jesus Cristo morreu a defender.

Fonte: O País

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