CONTOS EM PALAVRINHAS

 
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XXIII Episódio

De volta a Maputo, soube que ia tomar chá com o Mia Couto. Estava incomodado, mas gentilmente ali estava, sentado à mesa do café, à espera de trocar palavras comigo, uma ninguém, uma desconhecida, uma caprichosa invasora da vida literata. E jogámos letras e literatura sobre a mesa. Quis saber de mim, de quem sou, de onde vim, para onde vou, quis saber das minhas leituras e da minha caneta. Quis mostrar-me a arte que vê na escrita, a arte que se manifesta no que não é ganha-pão. E contra os meus sobressaltos de aprendiz, disse-me: No dia em que não tiver medo, morri como escritor. Contou-me que o último livro tinha sido filho da zanga com a mãe literatura. O verdadeiro livro, que não sai aos seus, patinho feio, ovelha negra da família, que duvida e questiona a autoridade da experiência. Contou-me da falta de santidade da sua escrita, do profano, do prático, da negação da escrita sagrada: Eu não preciso de escrever para viver, acho eu. Para viver, preciso de respirar. Contou-me que o que admirava na escrita era a capacidade de ser outro, o poder de ser tantos, de ser os que quiser. Ser algo e alguém bem diferente de mim.
Contou-me que escrevia para dizer algo, que escrevia para contar. Contou-me que queria contar uma história. Quer que lhe conte uma história?, perguntou-me.
De olhos brilhantes, cotovelos em cima da mesa, palma das duas mãos esborrachadas contra as bochechas, acenei a cabeça ao sabor dos meus cinco anos e dispensei-me de responder, mimicada que estava a resposta.
- O Beijo da Palavrinha, é o título do conto!, começou.
E deliciei-me a ouvir aquele conto em palavrinhas.

Comentários

Poema expresso sem tempo

Estava lá naquela manhã,olhos pesados enrolados pelo sono sentado acho que não tinha nada a fazer
decidi sem tempo,arastar me ao mundo de razas poamas,lidas e escritas,estava sem tempo quando escrevi que a vida tinha seu tempo e as emoções seu momento
filo sem tempo,escrita a critìca,
emoção de aprender a escrever poema emoção linda mas nao sabia conjugar os verbos.era lindo quando estudava mas era pesado quando na sala de aulas entrava,sentava,o professor ditava mas no poema é lindo,
ninguem dita,ninguem te ensina,apenas são palavras que saiem do fundo do peito,é a minha liberdade de expressão que é expressa sem tempo,sem tempo em poema expresso sem tempo.

Poesia na realidade

Reconstrução

Bolhas de afeto ao vento
Torrentes de emoção
Delírios do coração
Afluem pelo alento...

Lembranças de opções
Ceiam na idade
Avançando com a prosperidade
Compensam as frustrações...

Literatura

Gostei. Ducho de pemba

Descrição do Autor

De Capulana em Capulana

"Semanalmente e num estilo ficcionado, os episódios que se seguem contam a história real duma viagem por Moçambique."

Margarida Damião Ferreira nasceu em Lisboa, em 1979.

Licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa e Mestre em Ciência Política e Relações in­ternacionais pelo Instituto de Estudos Po­líticos da Universidade Católica Portugue­sa, é advogada e escritora.

Co-autora do livro "Litígios e Legitimação – Estado, Sociedade Civil e Direito em S. Tome e Príncipe", publicado pela Almedi­na em 2002, estreou-se como autora com o livro infantil "A Pulga Salta-pocinhas e os Grãos de Areia", publicado pela Editorial Presença em 2004.

Escreve semanalmente artigos de ficção num blogue do semanário Expresso como colaboradora convidada.

O seu curriculum conta ainda com a fre­quência de cursos de Escrita Criativa e Es­crita de Viagens e uma pós-graduação em Jornalismo Judiciário.

Em terras moçambicanas publicou já o artigo “IBO: o Ontem, o Hoje e o Amanhã de uma Ilha Bem Organizada”, Tema de Fundo do jornal “A Verdade” e assina a coluna semanal de ficção “De Capulana à Cintura”.

Ainda em Dezembro deste ano lança o seu primeiro livro de poemas “Assim, como as cerejas...”, editado pela Papiro Editora, em Portugal.